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Presume-se que o nome
de Carvoeira se tenha devido ao facto de outrora, junto à velha
ponte que se julga romana, se carregarem barcos com carvão com destino
a Lisboa.
Esta terra gozava de
um privilégio curioso: no local onde o rio que atravessa a freguesia
desagua no mar, existia um local de vigia, chamado facho, onde se
acendia uma fogueira quando era avistada alguma embarcação dos mouros.
Os habitantes da freguesia estavam isentos de serem soldados, mas,
em contrapartida, eram obrigados a fazer sentinela ao referido facho,
acendendo uma fogueira se necessário fosse.
A Capela de Santo António,
a Capela de São Julião e a Igreja de Nossa Senhora do Ó merecem
referência no que respeita ao património artístico da freguesia.
Junto à velha ponte, hoje alterada na traça, encontra-se a Igreja
de Nossa Senhora do Ó, cuja data de construção permanece incerta.
O alpendre e o muro terão servido de trincheira numa batalha travada
em 1585 entre um punhado de portugueses, liderados por Mateus Álvares,
que ficou conhecido como o falso rei D. Sebastião e duas companhias
da infantaria espanhola. A igreja foi-se degradando mercê das inundações
provocadas pelas cheias do rio que ciclicamente alagava todo o vale,
chegando a servir de ninho a ratos que danificaram valiosos missais
do século XVIII. Quando as suas paredes já abriam fendas que punham
em causa a estrutura do edifício, foi recuperada em 1983. Passados
cinco anos, foi alvo de novo assalto, perdendo quase todas as imagens,
incluindo a de Nossa Senhora do Ó. O relógio de sol, num dos cunhais,
é de 1763. No alto da costa, dominando o Oceano, ergue-se a Capela
de São Julião, presumivelmente do século XVI apesar da data de 1768
inscrita na porta principal, que deverá tratar-se da altura da sua
reconstrução após o terramoto. É interiormente forrada a azulejos
setecentistas com a história da vida de São Julião. O relógio de
sol é datado de 1754 e o cruzeiro de 1764.
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