Abóboda manuelina na Igreja de N. Sra. do Reclamador.

A partir da reconquista cristã, e com a doação de foral pelo bispo de Silves D. Nicolau à Vila de Mafra em 1189, inicia-se uma nova etapa da história do concelho.

Um dos reinados que a partir de então mais influências deixou na arquitectura religiosa foi o de D. Manuel I. O estilo manuelino está presente em muitas igrejas, como a de Nossa Senhora da Oliveira, no Sobral da Abelheira, da Nossa Senhora do Reclamador, Cheleiros, da Nossa Senhora da Conceição, Igreja Nova, de São Miguel, Milharado, de Santa Eulália, Santo Estevão das Galés, ou de São Silvestre, Gradil. Os vestígios desta arquitectura fazem-se especialmente notar nos portais, abóbodas, pias de baptismo e de água benta e em alguns lavabos. Durante o período manuelino reformulou-se a nível nacional todos os forais concedidos a partir do século XI ao século XV. Entre 1513 e 1516, D. Manuel reforma os forais de Mafra, Ericeira e Cheleiros, e em 1519 concede foral a Enxara dos Cavaleiros e confirma foral do Gradil doado por D. Afonso IV em 1327. Com a reforma manuelina, os concelhos que receberam foral foram obrigados a construir um pelourinho, e os que viram o foral confirmado tiveram que renovar os seus pelourinhos.

  Pelourinho manuelino frente à Igreja Matriz de Cheleiros.
 

Símbolos do poder judicial, passaram a ostentar editais e ordens e notícias vindas da Corte. Foram sofrendo grandes alterações e já não se encontram nos lugares de origem, estando apenas alguns pormenores adaptados.

O fuste do pelourinho original de Cheleiros ainda pode observar-se no cruzeiro do adro do Matriz, tal como o de Enxara dos Cavaleiros, a única parte que ainda resta. O de Mafra pensa-se ser um substituto de um erguido na época medieval e encontra-se defronte do Museu Municipal. O da Ericeira foi recuperado em 1924, salvando-se apenas a coluna, o capitel e o ornato.

 



 

Se o reinado de D. Manuel I mudou a cara ao concelho, o de D. João V não ficaria atrás, especialmente no que se refere à Vila de Mafra. Para além do Convento, a região ganhou um jardim (Jardim do Cerco) e um parque natural e de caça (Tapada de Mafra).

Empreendimentos que se arrastaram pelos reinados de D. José I (terminou as obras do Monumento), D. João VI (decorou o interior dos aposentos régios) e D. Fernando II (reformulou o Jardim do Cerco). O Concelho de Mafra conta histórias de reis e rainhas, das suas promessas, dos seus passeios e fugas apressadas, de conquistas e reconquistas, de invasões muçulmanas e francesas, de feiras e mercados, de artes e ofícios. Passo a passo, freguesia a freguesia, aqui se contam algumas dessas marcantes histórias.