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Em 1711,
mandou D. João V erguer o Palácio Nacional de Mafra, obra-prima do
barroco português. Das suas 666 divisões, realce para a Biblioteca,
única no país, para a Basílica e para os famosos Carrilhões. |
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Palácio
Nacional de Mafra. |
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O Palácio Nacional de Mafra, um dos mais imponentes monumentos de
Portugal, símbolo do reinado absolutista de D. João V, supreenderá
o olhar do visitante pela projecção que alcança na paisagem.
A origem da sua construção
está ligada ao cumprimento de um voto que o Rei teria feito, desconhecendo-se
se para obter sucessão ou se para curar grave enfermidade.
Em 1711, decreta El-Rei D. João V que por justus motivos
se erga na Vila de Mafra um convento a Nossa Senhora e St. António,
a ser entregue à Ordem dos Frades Arrábidos. Escolhe D. João V o
local (Alto da Vela), compram-se os terrenos e iniciam-se as obras.
Desde o lançamento da primeira pedra, em 1717, à cerimónia de Sagração
da Basílica, em 1730, o projecto, sob a direcção do arquitecto
João Frederico Ludovice, sofreria inúmeras alterações, e de um convento
para 13 frades passar-se-ia a um palácio-mosteiro para 300. Durante
os 13 anos que duraram as obras, operários, mestres, médicos, frades,
boticários e animais vieram de todo o País, alojando-se
na "Ilha de Madeira" (ver caixa). Em 1730, a Real Obra de Mafra
empregava tanta gente que se tornava difícil em qualquer outro lugar
do Reino encontrar um carpinteiro ou um balde de cal.
À excepção da pedra lioz de Pero Pinheiro e Sintra, quase tudo foi
importado. Itália, Brasil, Holanda, França e Antuérpia enviavam
as encomendas de mármores,
madeiras, esculturas, paramentos, baixelas, utensílios de culto,
sinos e carrilhões, e tudo pago com o ouro do Brasil, rapidamente
transformado nas pedras de Mafra.
A 22 de Outubro de 1730, embora as obras ainda estivessem atrasadas,
decidiu El-Rei que se celebrasse a cerimónia de Sagração da Basílica,
presidida pelo Cardeal Patriarca D. Tomás de Almeida, participando
toda a Família Real, Corte e representantes de todas as Ordens.
Calcula-se que tenham assistido mais de 20 mil pessoas, sem contar
com os quarenta e cinco mil operários, numa festa que durou oito
dias e onde se ouviu pela primeira vez o som dos Carrilhões.
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Muita tinta tem corrido para
explicar os motivos que levaram D. João V a construir o Palácio
de Mafra. A hipótese de se ter tratado de um voto para obter sucessão
régia - D. Mariana de Áustria casara-se há três anos com o Rei e
não conseguira engravidar - perdurou e ainda hoje é uma explicação
por muitos avançada. Fala-se num encontro entre o Rei e um frade,
em que o primeiro se terá queixado de não conseguir descendência,
ao que o frade teria respondido: "El Rei terá tantos filhos quantos
desejar". Perante a perplexidade de D. João V, o frade desfez o
enigma: bastava ao Rei erguer um convento em honra de Santo António.
Mas, ao que tudo indica, a Rainha já estaria grávida quando D. João
V decidiu erguer o Palácio. Deitada por terra esta teoria, outras
surgiram, sendo a mais sustentável a que dá conta de um voto do
Rei por motivos de saúde. D. João V estaria doente desde 1708, tendo-se
agravado o seu estado de saúde em 1711. De acordo com alguns historiadores,
o móbil do voto fora "uma grande aflição" na altura diagnosticada
como flatos hipocondríacos, hoje identificada como sífilis.
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Durante os anos que duraram
os trabalhos de construção do Monumento, ergueu-se
em Mafra uma verdadeira "povoação" que ficou
conhecida por "Ilha de Madeira".
Para além de albergar as várias oficinas de vidreiros,
ferreiros, latoeiros, carpinteiros e pintores - tantos eram os fornos
de cal que se estendiam até Cascais - e inúmeras casas
de pasto, incluía ainda as barracas de campanha para os soldados,
uma ermida de madeira, oito enfermarias, boticas e cozinhas, que
mal deveriam chegar para os 45.000 operários, 7.000 guardas
e 1270 bois que ali estiveram enquanto se construía o Monumento.
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